ENTREVISTAS
Entrevista com Analice Gigliotti (30/10/2009)
Chefe do Setor de Dependência Química e Outros Transtornos do Impulso da Santa Casa do Rio de Janeiro, a psiquiatra Analice de Paula Gigliotti é agora ex-presidente da Abead e passa a integrar o Conselho Consultivo da entidade. A médica concluiu sua gestão na última semana, quando durante Assembléia Geral de Associados foi eleita a nova diretoria 2010-2011. Em entrevista ao Boletim Eletrônico, Analice fez um balanço de sua gestão e falou sobre a associação.
1. Qual o balanço que a senhora faz a respeito da sua gestão na Abead?
Presidir a Abead foi uma honra e um desafio. Foi uma honra ocupar este posto e foi um desafio aceitá-lo. Acredito que esta é a sensação que se sente quando se está em qualquer presidência importante.
Foi a primeira vez que presidi uma associação e isso me ensinou muito, tanto como pessoa, quanto profissionalmente. Pude entender também como funcionam as relações políticas, tanto internas, como externas.
Aprendi que na presidência de uma entidade como esta, nunca podemos descansar. Sempre podemos fazer mais coisas.
Eu também quero destacar uma coisa: durante toda a minha gestão eu tive um grande apoio de toda a diretoria. Todos eles foram diretores presentes e que me ajudaram bastante. Sempre que eu solicitava, eles estavam lá. Os conselheiros também foram pessoas maravilhosas. Todos foram muito participativos, em todos os momentos.
Eu já tinha sido vice-presidente em três oportunidades e já conhecia a Abead. Mas ser presidente é uma coisa totalmente diferente.
2. Em quais pontos a Abead pode se desenvolver?
A Abead é uma associação com saúde financeira e tem plenas condições de crescimento na relação com os associados e na relação com os não associados. Ela também pode se desenvolver ainda mais em sua gestão política e seu alcance em todo país.
Ainda é um grande desafio sabermos com ela vai alcançar o Brasil inteiro e de maneira homogenia. A grande maioria dos associados da Abead é das regiões Sul e Sudeste.
Nós temos associados em outros lugares do Brasil, mas acho que ainda podemos ter mais. Norte, Nordeste e Centro-Oeste vão lucrar muito com a nossa presença.
Infelizmente, essas regiões estão muito isoladas dos conhecimentos científicos que a Abead pode proporcionar a elas, seja em termos de conhecimentos para a gestão de políticas públicas e para a prática privada e tratamentos.
3. Em que pontos a Abead cresceu em sua gestão?
Eu não tenho dúvidas de que a visibilidade da Abead cresceu ao longo desses anos. Através do trabalho de assessoria de imprensa, a Abead ampliou sua penetração na mídia. Além disso, o nosso Boletim Eletrônico está com uma excelente qualidade, o qual vem sempre sendo elogiado e a Sabrina Presman, que coordena esse material, tem feito um grande trabalho.
Realizamos e participamos de eventos em São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Além disso, estivemos em Brasília onde pudemos nos reunir com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e com o ministro Tarso Genro, da Justiça, numa oportunidade em que eles nos receberam para conversar.
4. Como será sua participação como conselheira da Associação?
A Abead é uma associação “viciante”. Depois que me envolvi, abracei e casei com a Abead eu vou continuar casada. Vou ajudar em tudo o que for possível e necessário.
Agora, como conselheira, as minhas funções administrativas diminuem, mas posso perfeitamente ajudar. Uma coisa é você executar e precisar de ajuda. Outra coisa é você poder ajudar.
5. Qual o Balanço do XX Congresso?
O nosso Congresso foi muito positivo. Eu aprendi muito. Tivemos palestras e atividades bastante esclarecedoras. Além disso, vale destacar que Bento Gonçalves é uma delícia de cidade. Fomos muito bem recebidos. Foi uma experiência realmente agradável.
6. Em sua opinião, quais as principais “deveres” e objetivo que uma associação como a Abead, que lida com questões científicas e políticas, deve ter?
Eu costumo dizer que a Abead é uma “tradutora”. Ela traduz a ciência para prática. Seja para a prática clinica, seja para a política pública. E não há política pública que valha a pena investir dinheiro se não for baseada em evidências.
Por exemplo, os ambientes livres de fumo. É uma lei, uma determinação que foi criada baseada em evidências. Sabe-se que: num ambiente fechado em que há fumaça de tabaco, outras pessoas vão fumar por tabela e aumentam-se os riscos delas adoecerem. Isso é uma política pública baseada em evidências.
Resumindo, só se deve fazer uma lei se houverem estudos ou pesquisas que comprovem a eficácia da medida. E a Abead tem essa função: traduzir o que está nos artigos e trabalhos científicos para uma linguagem que as pessoas possam entender.
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