ENTREVISTAS
Entrevista com Luiz Nelson Fernandes (26/02/2010)
Entrevista com Luiz Nelson Fernandes
Neurologista e professor da UFRGS, Luiz Nelson Fernandes atua nas áreas de ensino, assistência e pesquisa com projetos sobre temas como Semiologia Neurológica. Nesta entrevista para o Boletim Abead, o especialista fala sobre a atuação de sua especialidade na dependência química e sobre seu trabalho na UFRGS. Confira!
Atualmente, o senhor desenvolve quais projetos, especificamente?
Atualmente desenvolvo projeto de pesquisa em Semiologia Neurológica e participo da pesquisa em encefalopatia hepática mínima e na elaboração de uma escala de incapacidade em pacientes com paraparesia.
Como se dá a atuação do neurologista na área da dependência química?
A atuação do neurologista na área de dependência química está nas doenças desencadeadas diretamente pela droga em uso ou propiciada indiretamente pela mesma, no tratamento das doenças neurológicas em pacientes que tem como comorbidade o uso de drogas ilícitas e iniciar o tratamento das doenças neurológicas e o tratamento da dependência, especialmente da adição ao álcool com auxílio de recursos da comunidade ou de outras especialidades.
Que tipo de danos cerebrais o uso de substâncias psicoativas pode causar? Eles podem ser irreversíveis?
A afecção do sistema nervoso é global em muitas das dependências químicas. É possível o comprometimento desde o sistema nervoso periférico até o sistema nervoso central, não poupando nenhuma área destas duas divisões. São danos que modificam predominantemente a função do segmento comprometido e outros o dano estrutural é o predominante. Existem doenças onde há possibilidade de reversão do quadro clínico, outras onde a reversão é incompleta, muitas vezes com sequelas incapacitantes, e outras onde a evolução do quadro é inexorável.
Quais são os problemas de dependência química que sua equipe encontra com mais frequência na população do RS?
Os problemas mais frequentes na prática neurológica são os de afecção do sistema nervoso periférico, as manifestações decorrentes da má nutrição, os relacionados à abstinência da droga em uso e os problemas infecciosos intercorrentes ao paciente com dependência química. Também é relevante a falta de diagnóstico da dependência, em pacientes com complicações clínicas e que passam a manifestar alterações neurológicas decorrentes da abstinência.
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