Recife reúne 300 em Jornada Regional da Abead

 

 

A Jornada Regional da ABEAD 2008, realizada na Universidade Católica de Pernambuco, foi um sucesso ainda maior que a de 2007. Reunindo cerca de trezentos participantes das áreas da justiça, saúde, educação e assistência social, a mesma foi fruto da estreita parceria entre Ministério Público do Estado de Pernambuco, Centro de Assessoria e Assistência Terapêutica em Dependência Química (ASSISTA-PE), e Clínica de Psicologia da UNICAP.

 

O representante da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - SENAD, Coordenador Geral de Prevenção, Dr. Aldo da Costa Azevedo, após apresentar a estrutura, a missão e as competências da SENAD, destacou os diversos levantamentos do padrão de consumo de drogas na população brasileira, que respaldam projetos de capacitação para familiares, lideranças religiosas, educadores, profissionais de saúde, de segurança no trabalho, operadores do Direito e conselheiros municipais. Ou seja, em conformidade com a visão da totalidade de nossos palestrantes, somente a pesquisa pode contribuir para a implementação de políticas públicas mais efetivas neste campo.

 

Esta visão comum foi observada na sintonia entre as falas dos demais palestrantes convidados, a saber: Maria Aparecida Penso – Universidade Católica de Brasília, João Carlos Dias - Associação Brasileira de Psiquiatria, e Ana Cecília Marques - ABEAD.


Durante os debates, especial ênfase foi dada a Política Nacional sobre o Álcool, e a chamada "lei seca". Este foi um dos pontos principais tratados no painel sobre intervenções em rede. Uma inovação que se revelou muito proveitosa. Quatro casos de prevenção e de tratamento do uso de drogas foram trabalhados por profissionais de áreas distintas (terapeutas, educadores, pesquisadores, e promotores de justiça), e a resposta da plenária foi muito interessante, com bastante participação e debates. Dra. Maria Aparecida Penso colocou todo o peso de sua experiência com o tratamento comunitário de adolescentes em Brasília-DF, a partir de uma abordagem sistêmica, para deixar bem claro que não adianta informar sem motivar, e sem estabelecer regras claras por parte de quem atende, para balizar o que pode ou não pode nesta fase da vida. Segundo ela, é preciso combater o mito de que as propagandas que vendem um "comportamento de saúde" são suficientes para prevenir o uso de drogas. Em sua abordagem, parte do princípio de que existe uma rede natural de relações na qual os adolescentes já estão inseridos. As possibilidades de soluções estão na própria rede, e podem oferecer e mobilizar o desenvolvimento e as mudanças tanto individuais como grupais. Dr. João Carlos Dias, por sua vez, criticou duramente intervenções inadequadas com drogas consideradas "leves" em nossa cultura (p. ex.: maconha), destacando a problemática da comorbidade e o aumento dos casos de dependência de álcool, tabaco e maconha em nosso país, no período de 2001 a 2005. Apresentou propostas de intervenção baseadas em evidências, definindo níveis de cuidados, e defendendo a imposição de tratamento para casos graves, até para não agir contra a ética profissional. Ana Cecília Marques, participante assídua dos eventos regionais, tomou nas mãos o espinhoso tema que lhe fora apresentado e mostrou que estamos apenas começando a entender o que funciona na área de tratamento de adolescentes, e que a pesquisa e o diagnóstico são indispensáveis para a implantação de serviços públicos diversificados, que atendam a todas as possibilidades clínicas. Questionada por um membro do staff governamental sobre quais as medidas que podem ser inicialmente tomadas, uma vez que as escolas estaduais estão perdendo a guerra para o tráfico, a mesma foi enfática: trazer a
família para participar do desenvolvimento educacional dos filhos.

 

Foi um dia intenso e proveitoso, que deixou um gostinho de quero mais. O que é um ótimo sinal. Um das preocupações expressas pelos participantes tratou da necessidade da ABEAD expandir sua ação na área da prevenção na educação, fomentando o debate na rede de ensino, estimulando educadores a tratar adequadamente do tema "drogas" nas escolas, na lida diária com crianças e adolescentes. Fica a sugestão de incluir alguns momentos sobre este tema (prevenção nas escolas) no congresso nacional de 2009. E ficamos a disposição para colaborar na construção desta proposta.

 

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