RELEASE
Cerveja e futebol, mistura explosiva movida a propaganda
Publicado em: 26/03/2010, às 11:04
Atualmente, e durante toda a história, brasileiros, fanáticos por futebol, são surpreendidos por relatos de ídolos envolvidos com problemas decorrentes de consumo abusivo de álcool.
Atualmente, e durante toda a história, brasileiros, fanáticos por futebol, são surpreendidos por relatos de ídolos envolvidos com problemas decorrentes de consumo abusivo de álcool. Nesses casos, o enredo sempre se repete. Dirigentes, técnicos, colegas de profissão e imprensa lamentam o acontecido, anunciam providências e, nas entrelinhas, responsabilizam exclusivamente o jogador diretamente envolvido que, na maioria dos casos é uma vítima. Ao invés de ser tratado corretamente com um doente, é taxado como um irresponsável que está jogando seu talento pela janela.
A verdade é que todos os envolvidos com o espetáculo do futebol têm uma parcela de responsabilidade e desfilam hipocrisia ou ingenuidade em relação ao assunto. Ou, senão, vejamos:
É coerente um técnico condenar um jogador por suas “noitadas” regadas a álcool e ao mesmo tempo aceitar ser protagonista de uma propaganda de cerveja? É sincero o sentimento de solidariedade de um colega de profissão que lamenta a condição de alcoólatra do companheiro, mas aceita relacionar sua imagem à idéia de que aqueles que consomem determinada marca de bebida alcoólica alcançam mais sucesso? O dirigente que aceita o patrocínio da indústria de bebidas nos empreendimentos da sua entidade tem estatura moral para punir atletas que bebem? E os veículos de imprensa que financiam suas coberturas e transmissões com dinheiro da venda de cerveja, têm isenção para tratar casos desse tipo?
É preciso entender que a propaganda é o principal incentivador do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo. Por isso em muitos países ela foi banida, com excelentes resultados para a saúde pública. E quando relacionada ao futebol e aos ídolos do esporte, esse potencial cresce exponencialmente.
Todos envolvidos nesse esforço publicitário colaboram para o alcoolismo entre os jogadores. E, se apenas concorrer para que carreiras sejam interrompidas não comove a indústria do futebol, talvez a apresentação de outras estatísticas que tenham sua colaboração a faça pensar.
- O alcoolismo causa 57 mortes por dia no Brasil
- Entre 2000 e 2006 foram contabilizadas 92.946 mortes associadas ao consumo excessivo de álcool. Todas são consideradas como evitáveis.
- 12,3% dos brasileiros entre 12 e 65 anos são portadores de alcoolismo.
- O álcool é responsável por 70% das mortes violentas ocorridas no Brasil.
- O álcool é responsável por 45% de todos os problemas familiares e conjugais.
- O álcool é responsável por 42% dos acidentes de trânsito.
- A cerveja representa 73% do consumo de doses acima do recomendável.
Carlos Salgado
Presidente da ABEAD
Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas
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