RELEASE

 

 

Irresponsabilidade social

 

Publicado em: 01/04/2008, às 00:00

 

Colegas, Sobre o Movimento Nacional em Defesa dos Bares e Restaurantes, que promove manifestação hoje, a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, Analice Gigliotti, comenta o que segue:

 

Irresponsabilidade social

Para proteger seus interesses econômicos, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes realiza hoje um protesto que pede a revogação de medidas como a proibição da venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos próximos a rodovias e escolas e a restrição do horário de funcionamento de bares, entre outras ações de combate à dependência do álcool e do tabaco promovidas pelo Governo Federal.

Do ponto de vista jurídico, a ação é legítima. Porém, se analisarmos o movimento pensando em saúde e segurança pública, é inevitável concluir que se trata de um movimento irresponsável, para dizer o mínimo. Pesquisas mostram que o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de acidentes de trânsito. Somente no ano de 2006, mais de 36 mil pessoas morreram nas estradas do país. Em 61% dos acidentes, o condutor havia ingerido bebida alcoólica. Entre os casos com vítimas fatais, o índice sobe para 75%.

Quanto à restrição ao horário de funcionamento de bares, basta citar o exemplo da cidade de Diadema, na grande São Paulo. O município era conhecido pelos altos índices de violência. Em 2002, os bares da cidade foram proibidos de abrir após as 23 horas. A diminuição dos casos de homicídios foi de 59%.

Outra reivindicação deste movimento é a manutenção dos fumódromos. Defendem, segundo sua argumentação, o “direito dos fumantes”. Vejamos o quanto há de verdade nessa afirmação: a cada ano, 250.000 brasileiros morrem por problemas relacionados ao cigarro. Os fumantes já sabem disso. Uma pesquisa recente avaliou a opinião da população paulistana sobre o fumo em ambientes fechados. Dos fumantes entrevistados, 81% eram contra o fumo em restaurantes e 52% eram contra fumódromos em bares. A pesquisa não evidencia que os fumantes estão mais conscientes dos malefícios do fumo do que os donos dos restaurantes. Evidencia que esses empresários não estão pensando na saúde pública, mas em seus interesses individuais.

Segundo a OMS, 3,7% das mortes no mundo são causadas pelo consumo de álcool. Por isso, criar e consolidar uma política de combate ao alcoolismo deve ser prioridade do Governo. Só não sabemos o que impressiona mais: os números ou a irresponsabilidade de quem não quer leis e ações que contribuam para a saúde e a segurança do povo brasileiro.

Analice Gigliotti
Presidente da Abead
Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas

 

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