DROGAS NA MÍDIA

Clipping diário.

 

 

 

Mídia do Dia: 25/09/2007
Data de Veiculação: 23/09/2007


Onze a cada 100 bebem todo santo dia

 

A pesquisa faz parte do “I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira”, coordenado pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira

 

Veículo: O Liberal
Seção: O Liberal
Data: 23/09/2007
Estado: PA

Pesquisa mostra que 11% dos homens que bebem fazem isso todos os dias e 28% consomem bebida alcóolica de uma a quatro vezes por semana. O número é elevado se for considerado que 11 a cada 100 brasileiros bebem diariamente e, ainda, levado em conta outro dado pesquisado: a maioria dos homens bebe numa freqüência que aumenta dos 35 aos 59 anos de idade e depois dessa faixa etária tem uma pequena queda. As abordagens farão parte de uma série de reportagens de O LIBERAL publicada a partir deste domingo.
A pesquisa faz parte do “I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira”, coordenado pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Associação Brasileira de Estudos sobre Consumo de Álcool e Outras Drogas, em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas, do governo federal.
A secretaria conduz a política de prevenção ao consumo de álcool, hoje considerado prejudicial porque está associado a problemas de saúde, acidentes, violência e gastos hospitalares. O levantamento faz uma projeção do consumo de álcool a partir de 3.007 entrevistas realizadas em 143 municípios brasileiros. Foram entrevistados homens e mulheres de todas as regiões, com idade a partir dos 14 anos.
A partir do material, foram apresentadas cinco abordagens. Uma é “quanto e como bebe o brasileiro adulto”. Outra analisa “como bebem os adolescentes brasileiros”. Há ainda “o beber com maior risco de problemas adultos”, “o comportamento do beber e dirigir” e o “apoio da população às políticas públicas”, temas das próximas reportagens.
A primeira delas, sobre o comportamento do adulto bebedor, revela que 52% dos brasileiros com mais de 18 anos de idade bebem pelo menos uma vez ao ano. Se desses for considerada apenas a população masculina, o percentual sobe para 65% e o das mulheres cai para 41%.
Os homens ainda prevalecem sob vários aspectos. Quando a questão é a quantidade de álcool consumido, se chega à conclusão que 60% deles e 33% delas ingerem cinco doses ou mais de bebida na vez em que mais beberam no ano.
Com relação à freqüência do consumo, a pesquisa revela alto índice de ingestão diária. Cerca de 11% dos consumidores disseram beber todo dia, o que significa que, diariamente, 11 em cada 100 dos brasileiros bebedores faz isso diariamente. Outros 28 a cada 100 bebem de uma a quatro vezes por semana.
Os dois tipos, que totalizam 39% dos bebedores, estão no grupo dos que bebem “muito freqüentemente” ou “freqüentemente”. Esse grupo aumenta com o passar da idade. Representa 1% daqueles com 15 a 24 anos de idade, aumenta para 4% entre os de 25 a 34 anos, sobe para 7% na faixa dos 35 aos 44 anos, alcança o pico entre os de 45 a 59 (8%) e volta para 7% a partir dos 60.

Nordestinos e nortistas bebem mais, destilados estão entre os preferidos
Segundo a pesquisa, a região sul do País apresenta os maiores índices de consumo freqüente, mas é no Nordeste, Norte e Centro-Oeste que os brasileiros bebem as maiores quantidades de álcool a cada vez que sentam numa mesa de bar, vão a uma boate ou bebericam em casa. Cerca de 13% dos nordestinos que consomem álcool ingerem 12 doses ou mais por dia e 9% dos nortistas têm o mesmo comportamento. Nos dois está a maioria dos que preferem o destilado.
O levantamento por região coloca o nordeste na liderança do grupo com maior ingestão de álcool a cada contato com a droga. O sul tem o menor índice, com 4% de pessoas consumindo 12 doses ou mais, apesar dessa ser a região onde se bebe com maior freqüência. Em geral, 66% dos sulistas bebedores ingerem até 2 doses.
No Norte, 45% têm o hábito de beber apenas duas doses a cada aproximação da garrafa, o terceiro maior índice encontrado entre as regiões. Outros 24% consomem cinco a onze porções e 22% ingerem três a quatro. Ou seja, quase metade não bebe menos que três copos, sendo a ingestão de cinco já considerada arriscada.
Ainda nas regiões Norte e Nordeste, estão a maioria dos que preferem a bebida destilada. Já no sul do país, consome-se mais vinho. O comportamento só é semelhante nas regiões quando se fala em cerveja e bebidas do tipo “ice”, com média de 61% de preferência da primeira sobre todas as outras.
A variação volta a ser percebida quando é considerado o poder aquisitivo da população. Quanto menos dinheiro se tem, mais doses se consome. A proporção é de quase dois terços das pessoas da classe rica (A) bebendo até duas doses para quase a metade da classe pobre (E), ingerindo cinco ou mais copos habitualmente.

Grupos de “papudinhos” abrigam desempregados e solitários
É na principal rua do conjunto Paraíso dos Pássaros, no bairro de Val-de-Cans, em Belém, que se reúne um dos grupos mais tradicionais dos chamados “papudinhos”. Cerca de dez homens, de idades variadas, marcam ponto no canteiro da movimentada avenida Rio Amazonas, com direito a colchão e rede improvisados embaixo de uma árvore. O grupo é conhecido pela vizinhaça há cerca de seis anos.
Visivelmente domado pelo álcool, Luís Carlos Barbosa, 45 anos, conta que trabalha como pedreiro, é casado, tem três filhos e mora no bairro da Pratinha II. “Apenas quando não estou trabalhando é que venho para cá”, garante. Mas logo em seguida, corrige a informação. “Na verdade estou aqui todos os dias porque é meu caminho”.
Ele garante que a família nunca se incomodou por ser chamado de “papudinho”. “Sou mesmo, bebo e não tenho vergonha de dizer isso. Gosto de beber o que há de mais forte, que é a cachaça”.
Já Alair Silva, que também faz parte do grupo, conta que o local é sua casa, porque não tem para onde ir. “Fui desprezado pela minha família. Não tenho ninguém, fico aqui todos os dias bebendo. Adoro cachaça”, diz.
Falando com dificuldade e demonstrando certa revolta, Marinaldo da Silva afirma ter 35 anos, embora pareça mais velho. Com poucos dentes na boca e várias tatuagens espalhadas pelo corpo, afirma que não se preocupa em comer porque a bebida supre todas as suas necessidades. “A cachaça é o meu café da manhã”.
Assim como Alair, Marinaldo conta que não tem família. “Não tenho mulher, nem filhos, nem ninguém; sou sozinho nesta vida. A única coisa que gostaria de ter era uma casa e um trabalho”, lamenta.
Comum nos relatos, o primeiro contato com a bebida muito cedo e o abandono familiar. “Bebi meu primeiro gole de cachaça aos 12 anos, quando trabalhava como pedreiro no Mangueirão”, lembra Luís Carlos Barbosa. A mesma idade é apontada por Alair.
A vizinhança próxima de onde o grupo de reúne diz não se incomodar com os moradores. “Eles bebem a cachaça deles, mas nunca roubaram ninguém. Uma vez a polícia passou por aqui e levou todos no camburão e, logo depois, trouxe-os de volta”, contou um vizinho que não quis se identificar.

 

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