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22/06/2011

Drogas: um problema de todos nós, usuários ou não

O Dia Internacional de Combate às Drogas, 26 de junho, marca a mobilização para a prevenção e o combate à dependência.

 

No último dia 15 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF), por 8 votos a 0, considerou como legais as manifestações públicas pró-maconha. O argumento central é a garantia absoluta da liberdade de expressão, presente na Constituição. Essa decisão gerou uma saudável polêmica, pois abriu mais espaço para a discussão das políticas públicas de combate às drogas.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, o Supremo, mesmo considerando boa intenção no gesto, acabou oficializando a apologia às drogas e permitindo um movimento que, em última análise, poderá ampliar em lugar de resolver o problema. “Essa inserção social da maconha vem sendo banalizada, tomada como benigna. A marcha em favor da maconha angaria novos usuários e glamuriza a droga”, afirma.

A defesa intransigente da liberdade, por parte do STF, pode ser facilmente relativizada. “A seguir poderemos ter marchas em defesa do crack, do oxi e até da permissão de beber entre menores de 18 anos”, afirma Salgado.

A falta de ações efetivas com relação às drogas por parte do governo também tem gerado preocupação. No mês passado, a secretária nacional de políticas sobre drogas, Paulina Duarte, afirmou em entrevista que “o governo nunca reconheceu o crack como epidemia. Isso é uma grande bobagem”. Em analogia ao oxi, a nova droga que está sendo encontrada em várias regiões brasileiras, não foi diferente. Segundo ela, “é mentira, [pois] não há embasamento científico” para o suposto fato de que o oxi possa causar dependência imediata.

“O governo tem subestimado o problema. O crack tem um poder inusitado de difusão e desorganização social e estamos vivendo uma epidemia, sim. A brutal disponibilidade do crack vem produzindo um número explosivo de usuários por todo o país”, explica Salgado. Para ele, a questão do oxi também tem sido minimizada. “Essa nova cocaína fumável tem se espalhado rapidamente por todas as regiões brasileiras e o que observamos é que ela parece ter um efeito ainda mais agressivo do que o crack. Não há lugar para alarmismo, mas sim realismo e enfrentamento imediato”, ressalta o presidente da Abead.

O Brasil enfrenta um grave problema de saúde pública relacionado às drogas, e isso, inclui também, as lícitas. O alcoolismo acomete 12% dos brasileiros e é uma doença que tem desafiado às autoridades sanitárias há décadas. Além disso, entre os jovens, o consumo de álcool e tabaco, muitas vezes, é a porta de entrada para drogas ilícitas.

Sejam as drogas ilícitas ou lícitas, o importante é tratá-las como prioridade. O problema é de saúde pública e é preciso colocar na prática as políticas de prevenção e tratamento. O dia 26 de junho oferece a oportunidade para essa discussão. “O que falta é passarmos do discurso postergado à ação. A sociedade sozinha não é capaz de dar conta do problema”, completa Carlos Salgado.


Fonte: SEGS Portal Nacional Seguros & Saúde

 

 

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