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INSTAGRAM: Curtir ou não curtir?

Por Gabriel R. Ximenes - Associado ABEAD

drgabrielrximenes@gmail.com

 

“Se a melancolia era uma característica própria do homem extraordinário, a depressão é a expressão de uma popularização do extraordinário”

(Byung-Chul-Han)

A relação dos brasileiros com as redes sociais sempre foi marcada por rápida absorção de tendências e muita intensidade. Criado em 2004, o Orkut tinha no Brasil o maior número mundial de inscritos, mas não alcançou muito popularidade nos Estados Unidos. Foi então em 2006 que o Facebook, que havia sido lançado no mesmo ano, começou uma grande expansão, alcançando todos os continentes. Contudo, em 2010 surgiu o Instagram, uma rede social predominantemente visual, que por estimular um dos sentidos mais potentes no cérebro humano, possui grande poder de influência. O ano de 2012 provocou diversas mudanças no uso da internet com a superação da venda de Smartphones sobre celulares convencionais. Foi também nesse ano que o Facebook ultrapassou o Orkut como rede social preferida dos usuários no Brasil, e adquiriu o Instagram num negócio de bilhões de dólares.

Assim, o mercado das redes sociais é hoje um império controlado por poucas empresas, de montante bilionário e escala mundial. Seu poder demanda dos gestores não apenas elaborar um bom desenho da experiência do usuário (UX Design) e curadoria de conteúdo, como atuar de forma ética e responsável diante de um mercado altamente influenciador e inserido na vida de crianças e adolescentes.

Aqueles que nasceram a partir de 1995 – geração Z, geração digital, iGen ou nativos digitais – já encontraram um mundo com conexão 100% do tempo. Para muitos deles, o aparelho celular funciona como uma extensão do corpo - um “órgão” - e dado seu caráter de estímulo visual e onipresença (“em casa, na rua e na escola”), ocasiona certa confusão na distinção do que é real ou virtual. Essa confusão está por trás da FoMO (ou o medo de estar perdendo algo importante), que caracteriza uma necessidade de uso do aparelho, algo que já traz prejuízos no humor e satisfação com a vida1 e que relaciona-se à NoMoFobia (dependência de celular, ou o medo de ficar sem o aparelho), ambas características de uma relação patológica com a tecnologia.

Entendendo com os olhos

Mesmo com toda a controvérsia em torno de privacidade, pirataria, notícias falsas e outros aspectos negativos diversos da vida online, o mundo continua a se envolver com a internet e as mídias sociais. O crescimento digital global não demonstra sinais de estagnação.

O Global Digital Report de 2019 (GDR19), um dos mais abrangentes estudos sobre tendências digitais, demonstra que 42% da população mundial acessa as mídias sociais através do celular:

No Brasil, extremamente conectado, 61% da população brasileira acessa as mídias sociais através do celular:

Enquanto a população mundial cresceu 1,1% no último ano, o número de usuários de Internet e mídias sociais cresceu de 9,1 a 10%, ou seja, quase 10 vezes mais que o aumento populacional:

O Brasil é o terceiro maior usuário mundial da Internet (em tempo) através do celular, bem acima da média (coluna branca) e dos EUA:

E o tempo de uso da Internet através do celular vem aumentando no mundo todo:

O Brasil é o segundo lugar mundial em relação ao tempo de uso de mídias sociais:

E, de forma análoga à Internet, o uso de mídias sociais também vem aumentando em todo o mundo:

No Brasil, o uso do tempo foi de 3,34 horas/dia, em média, em 2019:

Desse modo, o Instagram é hoje uma importante ferramenta de marketing pessoal, monetização (seja para o usuário ou a empresa), socialização e fama, onde o valor do pertencimento é diretamente aferido pelo dito “engajamento” dos seguidores, seja no número de curtidas, comentários ou repostagens do conteúdo divulgado.

Uma característica das mídias sociais – e mais ainda de uma mídia visual como o Instagram – é a possibilidade de edição dos conteúdos exibidos. Assim, inevitavelmente, uma comparação platônica surgiu e cresceu, de diversas formas e em grande escala. Acrescentemos a isso que o hábito de relacionar-se através de redes sociais ainda é algo recente (cuja conduta e etiqueta ainda estão em elaboração) e que só temos acesso a um avatar daqueles que seguimos. Especificamente, as manipulações dos caracteres físicos dos indivíduos e cenários levam a uma comparação social e da imagem corporal extremamente prejudiciais à autoestima.

Além disso, o conteúdo que nos é exibido também é editado.  A partir de modernos algoritmos, que utilizam sistemas de Inteligência Artificial para analisar o volume incalculável de dados (Big Data) que deixamos como pistas e/ou pegadas durante nosso trânsito pela rede, as empresas de mídias sociais selecionam as postagens (e propagandas) que nos exibem.

Como diz Yuval Noah Harari, em 21 Lições para o Século XXI: “(...) os dados vão suplantar tanto a terra quanto a maquianaria como o ativo mais importante, e a politica será o esforço por controlar o fluxo de dados. (....) A corrida para obter dados já começou, liderada por gigantes como o Google, Facebook e Tencent. (...) Eles capturam nossa atenção fornecendo-nos gratuitamente informação, serviços e entretenimento e depois revendem nossa atenção aos anunciantes. (...) Seu verdadeiro negócio não é vender anúncios. E sim, ao captar nossa atenção, eles conseguem acumular enorme quantidade de dados sobre nós, o que vale mais do que qualquer receita de publicidade Nós não somos seus clientes; somos seu produto”.

Alerta de Spoiler: como “Black Mirror” pode nos ajudar a entender essa questão

A série de ficção científica da Netflix “Black Mirror”, centrada em temas ocorrendo num presente alternativo ou futuro próximo, produziu 3 episódios que ilustram bem a relação moderna com a tecnologia. Em Nosedive, de 2016, os personagens habitam uma distopia onde um sistema de reputação - que lembra um “Instagram extremo” - determina sua popularidade,  medida numa escala de 0 a 5. É com base na popularidade instantânea que fatores primordiais da vida, tais como emprego, descontos em aluguéis, sucesso amoroso e convites sociais, além de benefícios como filas preferenciais em aeroportos, irão se desenrolar. (De certa forma, nossa nota no Uber pode fazer com que tenhamos um pedido de corrida mais rapidamente aceito).

Já em 2018, no episódio Hang the DJ, há referência a um aplicativo de encontros com 99,8% de sucesso em formar casais graças ao uso da Inteligência Artificial, e cujo formato nos lança a duas reflexões; a primeira, de que, mesmo não se iniciando de forma virtual, alguma intermediação tecnológica irá ocorrer na maioria dos relacionamentos atuais; e a outra de que o flerte pelas redes sociais aumenta muito a possibilidade de ocorrerem rejeições seriadas (quando um mesmo indivíduo recebe diversas negativas), um tipo de exclusão digital (dentre muitos).

Já em 2019, o episódio Smithereens conta a história de um motorista de aplicativo que sequestra um estagiário da Smithereens, uma gigante das redes sociais. O estagiário passa toda a corrida com os olhos tão vidrados em seu celular, que não desconfia dos trajetos feitos e nem sequer percebe que está sendo sequestrado.

Na visão do motorista, a Smithereens opera de forma a “viciar” seus usuários, tornando-os dependentes de verificar a todo instante o número de curtidas de uma foto ou o “engajamento” de um post. Como resgate, ele tem apenas um requerimento: falar por telefone com o CEO da empresa!

O capítulo não deixa claro qual o desfecho do sequestro, o que faz com que na vida real todos busquem seus Smartphones para tentar obter alguma informação. Contudo, tal informação seria somente mais um pop-up na tela do celular, e a vida seguiria, ainda que o desfecho fosse a morte do estagiário.

Com isso, ele critica a obsessão humana de estar sempre verificando novas notificações, e aborda o uso excessivo das redes sociais como um “vício” instalado na sociedade, trazendo à tona a importante discussão acerca de dependências não-químicas, tais como de jogo, sexo, compras e tecnologias. Ainda, vai tornando cada vez mais próximas as definições de “engajamento” e “vício”.

 

Rede social vicia?

Em 2017, a RSPH (Royal Society of Public Health) conduziu uma pesquisa no Reino Unido com 1.479 jovens entre 14 e 24 anos de idade, sobre as cinco mídias sociais mais populares2, a partir de 14 questões sobre saúde e bem-estar. Conhecido como #StateOfMind, esse estudo demonstrou que as redes sociais são mais aditivas que o cigarro e o álcool. Dentre todas, o Instagram revelou-se a mais prejudicial.

Todas as mídias sociais analisadas tem no sono o fator negativo principal relacionado a seu uso. Quatro dentre as 5 mídias pesquisadas apresentam FoMo como segundo ou terceiro fator mais importante. Contudo, apenas o Instagram tem a imagem corporal como fator negativo, dado seu caráter visual, e é este fator que a coloca como a mídia social de impacto mais negativo nesta pesquisa. Sete em cada 10 meninos e 9 em cada 10 meninas relatam estar insatisfação com seu corpo, e muitos chegam a considerar procedimentos cirúrgicos, um efeito direto da comparação promovida pelo aplicativo sobre a autoimagem corporal e autoestima.

No caso dos meninos, se o senso de masculinidade é construído de forma tóxica, baseado em poder e bens materiais, sempre haverá alguém que terá mais. Isso leva a uma vida vazia, sempre buscando mais coisas ao invés de ver o que realmente importa.

Por outro lado, todas as 5 mídias sociais pesquisadas elevam a capacidade da autoexpressão dos usuários, 3 em 5 aumentam a percepção de comunidade (e logo de pertencimento). O Facebook destaca-se por aumentar a percepção de suporte emocional e o YouTube – única rede social com benefícios na saúde mental – é capaz de reduzir depressão, ansiedade e a percepção de isolamento.

 

Existe real felicidade nas redes sociais?

Já o Relatório Mundial da Felicidade (WHR, da ONU), na sua edição 2019, explora a correlação entre o uso de mídias digitais e depressão nos Estados Unidos, dedicando um capítulo inteiro ao tema (“O Triste Estado da Felicidade nos Estados Unidos e o Papel das Mídias Digitais”), escrito por Jean M. Twenge, autor de iGen.

Segundo o relatório, desde 2010 (lançamento do Instagram), houve aumento de depressão, automutilação e ideação suicida, bem como queda dos índices de felicidade em adolescentes, principalmente em meninas e mulheres jovens. Esses dados se repetem no Reino Unido quando avaliam-se crianças e adolescentes.

De acordo com o autor, as mídias digitais tem diversos impactos sobre o bem-estar. De forma direta, isto pode ocorrer por comparação social, na qual as pessoas percebem suas vidas como inferiores quando comparadas aos famosos e outras páginas de mídia social; estes sentimentos estão relacionados à depressão3.

Indiretamente, tanto a diminuição do sono quanto o aumento do tempo online e a redução das relações presenciais apresentam efeito sobre a felicidade.

Sono: nem mais, nem menos

O sono, sem dúvida, é um dos mais importantes indicadores de saúde mental, e qualquer alteração significativa desregula as demais funções corporais, de forma recíproca.

Assim como pouca saúde mental pode piorar o sono, um sono ruim pode agravar estados de saúde mental4. O sono é particularmente importante para adolescentes e adultos jovens que estão em fase de pleno desenvolvimento5. O cérebro não está plenamente desenvolvido até que o indivíduo atinja os 20 ou 30 anos6. O sono é essencial para nos permitir um ótimo funcionamento durante a vigília e os adolescentes precisam entre 1-2 horas de sono a mais por noite que os adultos.

Um dos fatores responsáveis pelo diminuição do tempo de sono pode ser o aumento do tempo de uso dos Smartphones.

Diversos estudos encontraram que adolescentes e adultos jovens que gastaram mais tempo nas mídias sociais possuíam menor bem-estar (Broker e outros, 2015; Lin e outros, 2016; Twenge e Campbell, 2018 e outros). Por exemplo, meninas que gastam mais do que 5 horas por dia em mídias sociais são 3 vezes mais propensas à depressão do que não usuárias (Kelly e outros, 2019), e usuários pesados de internet tem 2 vezes mais chance de serem infelizes (Twenge e outros, 2018).

Já a redução das relações presenciais pode ter reduzido a felicidade devido a mudanças em como os adolescentes utilizam seu tempo livre. Em outras palavras, as mídias digitais podem ter um efeito indireto na felicidade conforme absorvem tempo de outras atividades mais benéficas.

Essa hipótese sugere que o aumento do tempo de uso de mídias digitais (internet, mídias socias e conversas) causou uma diminuição do uso do tempo com outras atividades presenciais, já que o uso de mídias sociais foi o único fator que aumentou seu consumo de tempo na última década (outros como cuidados de casa e atividades extracurriculares permaneceram estáveis).

De modo geral, foram consideradas manifestações do uso excessivo de mídias digitais e redes sociais: piora do sono7, ansiedade7, depressão8, automutilação9 e ideação suicida10.

 

(Aonde isso) vai parar?

A primeira medida destinada a mitigar os efeitos em saúde mental da comparação surgiu em 2003 em Israel, quando a “Lei do Photoshop” passou a exigir das modelos profissionais um peso mínimo, bem como que as imagens editadas apresentassem algum tipo de identificação.

Contudo, foi em 2017 quando a França decidiu criar um “alerta Photoshop” para qualquer imagem comercial em que a aparência corporal de uma pessoa tivesse sido alterada digitalmente - em especial para fazer com que alguém parecesse mais magro ou forte – que a autoestima e saúde mental da população passaram a ser vistas como questões de saúde pública. “Photograpie retouchée” (fotografia retocada), diz o aviso, cujo descumprimento gera multa de até 37,5 mil Euros (140 mil Reais).

Estas, contudo, não eram medidas relativas às mídias sociais. Em 2018 o Instagram, abordando mecanismos indiretos de dano, lançou um aviso que é disparado quando o usuário já visualizou todas as novas fotos (frente a uma mudança na disposição do feed, que passou a não mais ser cronológico, priorizando postagens de amigos, familiares e pessoas com quem o usuário interage mais para aumentar o “engajamento”). Nesse mesmo ano, disponibilizou funcionalidades de controle de tempo, através de informações e métricas exibidas em gráficos e média de uso diário, bem como alertas programáveis de uso excessivo, e uma configuração de notificações que permite silenciar avisos. O celular é hoje a maior causa de distração, e o acessamos em média 241 vezes por dia, seja para verificar voluntariamente um feed que não para de se renovar, ou para responder a uma demanda que chega na forma de “curtida”, Match, e-mail, SMS, WhatsApp, Direct, Messenger etc.

Foi então, na semana passada, que o Instagram foi a primeira mídia social a tomar uma ação direta no combate aos danos causados pela comparação social, ao remover a contagem de “curtidas” ou “likes” das fotos postadas, o que, considerando-se que 83% da população está ativamente “engajada” nas mídias sociais , significa um enorme movimento corporativo.

A magnitude desta ação deve-se antes à relevância empresarial do Instagram, somadas à vulnerabilidade do seu público alvo e a possibilidade de influência de seu negócio (por meios visuais).

A característica específica do Instagram, uma rede social baseada em fotos, quanto à questão da comparação visual, deve-se ao comprovado poder de influência das técnicas de visualização, estratégia da qual já se conhece a eficácia há alguém tempo e de onde começam a derivar intervenções práticas nas diversas formas de realidade estendida, inclusive no manejo da fissura e prevenção da recaída em pacientes dependentes.

Ainda que haja também um interesse financeiro em reduzir o tráfego orgânico (não pago) através da diminuição da capacidade de engajamento dos criadores e marcas - uma vez que muitos usuários estavam obtendo lucro com o aplicativo, ao passo em que a renda da empresa com propagandas, postagens patrocinadas e campanhas publicitárias não estava crescendo de forma proporcional - o que espera-se das organizações modernas é que enxerguem como propósito algo além de dominação e progresso desenfreados.

 

Será que estamos mais isolados?

Em relação a um maior isolamento ou solidão, há quem tenha pontos de vista diferentes do defendido por Jean M. Twenge, no capítulo escrito para o WHR de 2019. O Dr. Steven Pinker, conferencista, autor de diversos livros e psicólogo em Harvard, apresenta um estudo de 2011 onde a percepção de solidão manteve-se estável desde 1979. Entre estudantes, a percepção de solidão inclusive diminuiu11!

Em “Still Connected” (não traduzido, 2011), Claude S. Fischer, sociólogo francês da Universidade da Califórnia, em Berkeley, revisou quarenta anos de pesquisas sobre relações sociais. Ele defende a ocorrência de uma mudança de contexto que levou ao aumento do “convívio digital” (tais como a redução do tamanho das famílias, o aumento do número de solteiros e a inserção da mulher no mercado de trabalho), porém com o mesmo dispêndio de tempo para estar com os parentes, a mesma média de amigos e frequência de encontros com eles, bem como a percepção de suporte e satisfação com essas relações.

Usuários de mídias sociais tem mais amigos próximos, expressam mais confiança nas pessoas, sentem-se mais apoiados e são mais politicamente envolvidos12. E não reportam níveis mais altos de estresse do que os não usuários13!

Além disso, demonstra ele, usuários de mídias sociais tem mais contato com seus amigos, e acham que o convívio digital enriqueceu suas relações. Eles também importam-se muito com os outros usuários, e demonstram empatia quando os identificam em apuros, mais do que invejam seu sucesso.

Segundo ele: “as pessoas encontram-se menos em locais tradicionais como clubes, igrejas, congregações, organizações fraternais e jantares, e mais em situações informais e através das mídias digitais. Elas confiam menos em primos distantes e mais em colegas de trabalho. São menos propensas a terem muitos amigos, mas também menos propensas a desejar ter muitos amigos. Mas não é porque a vida social apresenta-se diferente hoje do que nos anos 50, que isso significa que os humanos, essa espécie quintessencialmente social, tenha tornado-se menos social!”.

Essa ponto de vista divergente traz à tona a diferença entre os termos solidão e solitude: enquanto solidão traz uma característica de sofrimento e isolamento, solitude pode ser uma opção. Não à toa, em inglês a tradução de solteiro é “lone”!

 

Conclusão?

É interessante observar que adição é uma doença que vai muito além do uso de drogas, e a dependência de tecnologia vem, com sua atualidade, trazer para o centro das discussões quais medidas e políticas de saúde pública podem atuar no controle dos impulsos e da motivação humana.

Ainda, vale ressaltar que o exercício de nossa irrevogável liberdade passa por uma boa dose de corresponsabilidade, da macro à microesfera, onde: a regulamentação do uso de dados e a supervisão das consequências em saúde mental das atitudes de instituições públicas ou privadas compreende uma abordagem de cocriação consciente; as empresas zelam pela saúde mental de seus funcionários e atuam com consciência social frente às disrupções individuais do consumismo que atingem a felicidade e o bem-estar;  o usuário possa fazer frente a uma crise de referências buscando seus reais valores, para que possa filtrar o excesso de informações dessa “Sociedade do Cansaço”, como bem explica o pensador Byung-Chul-Han.

Segundo este filósofo coreano, o sujeito é hoje empresário de si mesmo, e portanto é consigo mesmo que entra em guerra na eterna busca de se autossuperar. O processo de autossuperação produzirá indivíduos depressivos e fracassados. Ele acrescenta que há uma diferença entre essa patologia do século XXI e a melancolia, própria dos séculos passados, como citado na epígrafe deste artigo.

 

Compare-se somente a quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje.

 

Até essa semana, podíamos utilizar o Instagram de várias formas negativas. Agora, continuamos a poder utilizá-lo dentro daquilo que traz de evidência científica positiva, conforme o estudo britânico #StateOfMind:

- As mídias sociais podem aumentar o acesso dos jovens à experiência de outros usuários e informações especializadas em questões relativas à saúde

- Aqueles que utilizam mídias sociais podem perceber um maior suporte emocional

- As mídias sociais podem favorecer a auto-expressão e criação da identidade

- As mídias sociais podem favorecer fazer, manter e construir relações

- As mídias sociais podem criar oportunidades para inovação, aprendizado e criatividade

Além disso, podemos utilizá-las para conviver com pessoas distantes, reencontrar amigos de infância, escola, faculdade e outros empregos, achar grupos de afinidades (como hobbies) e redes de apoio (como para mães, pais, cuidadores, pacientes), etc....

Nessa “modernidade líquida”, como diria Bauman, cabe perguntar-se qual a profundidade dessas relações.

Assim como com a energia nuclear, o fogo ou as palavras, o que importa é o uso que fazemos da tecnologia.

Referências:

 

-

1.Pryzbylski, A. Murayama, K. DeHaan, C. Gladwell, V. 2013. Motivational, emotional and behavioural correlates of fear of missing out. Computers in Human Behaviour. Volume 29, Issue 4, July 2013, Pages 1841–1848.

2.YouTube, Twitter, Facebook, Snapchat e Instagram

3.Steers at al, 2014

4.Mind. How to cope with sleep problems

5.National Institute of Mental Health. 2016. The teen brain: 6 things to know

6.Sather, R. Shelat, A. Understanding the teen brain

7.RSPH & YHN, #StateOfMind, UK, 2017

8.RSPH & YHN, #StateOfMind, UK, 2017; Mercado, M. C., Holland, K., & Leemis, R. W. (2017). Trends in emergency department visits for nonfatal self-inflicted injuries among youth aged 10 to 24 years in the United States, 2001-2015. Journal of the American Medical Association, 318, 1931-1933; Mojtabai, R., Olfson, M., & Han, B. (2016). National trends in the prevalence and treatment of depression in adolescents and young adults. Pediatrics, 138(6); Plemmons, G., Hall, M., Doupnik, S., Gay, J., Brown, C., Browning, W., & ... Williams, D. (2018). Hospitalization for suicide ideation or attempt: 2008-2015. Pediatrics, 141(6); Twenge, J. M., & Campbell, W. K. (2018). Associations between screen time and lower psychological well-being among children and adolescents: Evidence from a population-based study. Preventative Medicine Reports, 12, 271-283. Twenge, J. M., Cooper, A. B., Joiner, T. E., Duffy, M. E., & Binau, S. G. (2019a). Age, period, and cohort trends in mood disorder and suicide-related outcomes in a nationally representative dataset, 2005-2017. Journal of Abnormal Psychology; Morgan, C., Webb, R. T., Carr, M. J., Kontopantelis, E., Green, J., Chew-Graham, C. A., Kapur, N., & Ashcroft, D. M. (2017). Incidence, clinical management, and mortality risk following self harm among children and adolescents: Cohort study in primary care. British Medical Journal, 359, j4351; NHS (2018). Mental Health of Children and Young People in England; Patalay, P., & Gage, S. (2019). Trends in millennial adolescent mental health and health related behaviours over ten years: a population cohort comparison study. Manuscript under review.

9.Mercado, M. C., Holland, K., & Leemis, R. W. (2017). Trends in emergency department visits for nonfatal self-inflicted injuries among youth aged 10 to 24 years in the United States, 2001-2015. Journal of the American Medical Association, 318, 1931-1933; Mojtabai, R., Olfson, M., & Han, B. (2016). National trends in the prevalence and treatment of depression in adolescents and young adults. Pediatrics, 138(6); Plemmons, G., Hall, M., Doupnik, S., Gay, J., Brown, C., Browning, W., & ... Williams, D. (2018). Hospitalization for suicide ideation or attempt: 2008-2015. Pediatrics, 141(6); Twenge, J. M., & Campbell, W. K. (2018). Associations between screen time and lower psychological well-being among children and adolescents: Evidence from a population-based study. Preventative Medicine Reports, 12, 271-283; Twenge, J. M., Cooper, A. B., Joiner, T. E., Duffy, M. E., & Binau, S. G. (2019a). Age, period, and cohort trends in mood disorder and suicide-related outcomes in a nationally representative dataset, 2005-2017. Journal of Abnormal Psychology; Morgan, C., Webb, R. T., Carr, M. J., Kontopantelis, E., Green, J., Chew-Graham, C. A., Kapur, N., & Ashcroft, D. M. (2017). Incidence, clinical management, and mortality risk following self harm among children and adolescents: Cohort study in primary care. British Medical Journal, 359, j4351; NHS (2018). Mental Health of Children and Young People in England; Patalay, P., & Gage, S. (2019). Trends in millennial adolescent mental health and health related behaviours over ten years: a population cohort comparison study. Manuscript under review.

10.Mercado, M. C., Holland, K., & Leemis, R. W. (2017). Trends in emergency department visits for nonfatal self-inflicted injuries among youth aged 10 to 24 years in the United States, 2001-2015. Journal of the American Medical Association, 318, 1931-1933; Mojtabai, R., Olfson, M., & Han, B. (2016). National trends in the prevalence and treatment of depression in adolescents and young adults. Pediatrics, 138(6); Plemmons, G., Hall, M., Doupnik, S., Gay, J., Brown, C., Browning, W., & ... Williams, D. (2018). Hospitalization for suicide ideation or attempt: 2008-2015. Pediatrics, 141(6); Twenge, J. M., & Campbell, W. K. (2018). Associations between screen time and lower psychological well-being among children and adolescents: Evidence from a population-based study. Preventative Medicine Reports, 12, 271-283;  Twenge, J. M., Cooper, A. B., Joiner, T. E., Duffy, M. E., & Binau, S. G. (2019a). Age, period, and cohort trends in mood disorder and suicide-related outcomes in a nationally representative dataset, 2005-2017. Journal of Abnormal Psychology

11.”Declining loneliness over time”, 2015, Clark, Loxton & Tobin

12.“Connectedness of social media users”: Hampton, Goulet, et al. 2011.

13.“Stress in social media users: Hampton, Rainie, et al. 2015.

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